O Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM) entregou esta terça-feira, dia 23 de Junho, licenças de espectro à Tmcel, Vodacom Moçambique e Movitel. O objectivo é a implementação do 5G e a expansão da rede 4G no país.
A presidente do conselho de administração do INCM, Helena Fernandes, avançou a informação durante a cerimónia de entrega das licenças. A cerimónia decorreu à margem da 5.ª Conferência Nacional das Comunicações. Segundo a responsável, a atribuição das licenças representa um passo importante na concretização da estratégia nacional de transformação digital.
Um marco histórico para a transformação digital
“Escolhemos este momento para proceder à entrega das licenças de espectro para a implementação do 5G e a expansão da rede 4G aos três operadores de telefonia móvel, simbolizando um marco histórico rumo à transformação digital de Moçambique”, afirmou Helena Fernandes.
Adicionalmente, a responsável explicou que as novas licenças estão associadas a compromissos específicos em matéria de cobertura, qualidade de serviço e inclusão digital. “O espectro radioeléctrico é um recurso escasso, estratégico e de elevado valor para o desenvolvimento nacional”, sublinhou.
5G em todas as capitais provinciais até 2027
No âmbito dos compromissos assumidos pelos operadores, o país deverá beneficiar de serviços 5G em todas as capitais provinciais até Junho de 2027. “Os operadores têm um ano para fazer o roll-out do 5G em todas as capitais provinciais”, disse a presidente do INCM.
Concretamente, a implementação da tecnologia vai abranger os principais centros urbanos, zonas industriais, pólos económicos e áreas de elevada concentração populacional. Adicionalmente, a expansão deverá contemplar zonas turísticas estratégicas, incluindo destinos do litoral e do interior do país, parques nacionais e reservas. “Estão também contemplados pólos industriais, energéticos e logísticos, assegurando que as novas capacidades proporcionadas pelo 5G apoiem o desenvolvimento dos sectores produtivos”, referiu Fernandes.
Expansão futura para zonas rurais e fronteiriças
Numa fase posterior, o regulador espera estender progressivamente a cobertura para zonas fronteiriças, áreas rurais e localidades estratégicas para a integração económica e territorial do país.
Paralelamente, as três operadoras assumiram compromissos de expansão da rede 4G. Desta forma, o objectivo é acelerar a cobertura nacional de banda larga e reduzir as desigualdades de acesso entre zonas urbanas e rurais. “Desta forma, garantiremos que a evolução tecnológica beneficie todo o território nacional e não apenas os grandes centros urbanos”, afirmou.
700 mil smartphones subsidiados para inclusão digital
Segundo Helena Fernandes, o processo dará prioridade à cobertura de instituições públicas, unidades sanitárias e estabelecimentos de ensino. No domínio da inclusão digital, o programa prevê igualmente a disponibilização de 700 mil smartphones subsidiados para facilitar o acesso da população às novas tecnologias.
“A entrega destas licenças representa muito mais do que a consignação do direito de utilização do espectro radioeléctrico. Representa um compromisso com o desenvolvimento de Moçambique, com a inclusão digital e com a melhoria da qualidade de vida dos moçambicanos”, concluiu.
Conferência reúne especialistas nacionais e internacionais
A 5.ª Conferência Nacional das Comunicações terminou esta terça-feira, após dois dias de debates promovidos pelo INCM. O evento reuniu decisores políticos, reguladores, operadores de telecomunicações, académicos, investidores e especialistas nacionais e estrangeiros. Entre os temas debatidos destacaram-se a expansão da conectividade, a inteligência artificial, a cibersegurança, a inclusão digital e as futuras gerações de telecomunicações.
Fonte: Diário Económico (Texto: Felisberto Ruco)
