África do Sul: UNAIDS pede aos EUA que reconsiderem corte de financiamento ao combate ao VIH

A directora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS), Winnie Byanyima, apelou aos Estados Unidos para reconsiderarem a decisão de retirar o financiamento destinado ao combate ao VIH/SIDA na África do Sul. Segundo a responsável, a medida poderá custar vidas no país com o maior número de pessoas infectadas pelo vírus no mundo.

Falando numa conferência de imprensa da ONU, Byanyima manifestou preocupação com os cortes na ajuda internacional. Concretamente, alertou que estes podem comprometer décadas de progressos alcançados no combate à doença.

EUA justificam saída gradual do PEPFAR

Num comunicado enviado por correio electrónico, o Departamento de Estado norte-americano informou que decidiu iniciar uma retirada gradual do programa PEPFAR na África do Sul. A justificação apresentada foi a falta de progressos por parte de Pretória em relação a determinadas exigências da administração norte-americana. Adicionalmente, Washington sublinhou que o programa nunca foi concebido como um mecanismo permanente e que a África do Sul possui capacidade para financiar os seus próprios programas de saúde.

Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, a decisão também estará relacionada com divergências políticas entre os dois países. Entre estas, destacam-se a relação da África do Sul com o Irão, as políticas de empoderamento económico negro e questões ligadas a cânticos históricos anti-apartheid.

“Estou triste com esta decisão. Retirar este apoio significa retirar assistência que salva vidas das pessoas mais vulneráveis. Peço aos Estados Unidos que reconsiderem a sua posição”, declarou Byanyima.

Impacto financeiro e humano do corte

Embora a África do Sul não dependa do financiamento norte-americano para adquirir medicamentos contra o VIH, o programa PEPFAR contribuía anteriormente com mais de 400 milhões de dólares por ano. Adicionalmente, este financiamento sustentava os salários de cerca de 15 mil profissionais de saúde.

De acordo com Byanyima, a África do Sul alberga aproximadamente oito milhões de pessoas que vivem com VIH. Consequentemente, o programa norte-americano representava até 17% do financiamento nacional destinado ao combate à epidemia.

Sinais de retrocesso já visíveis

Byanyima alertou ainda que os cortes recentes já estão a afectar os serviços de saúde em vários países. Segundo dados da UNAIDS, os testes de VIH diminuíram 22% em países com elevadas taxas de infecção. Em alguns casos, a distribuição de preservativos caiu até 90%.

Actualmente, cerca de 32,1 milhões das quase 40 milhões de pessoas que vivem com o vírus recebem tratamento. Contudo, nove milhões continuam sem acesso à terapêutica e 1,2 milhão de novas infecções foram registadas no último ano.

“Estamos a observar os primeiros sinais de sérios retrocessos nos progressos alcançados. A tendência de redução das infecções pode inverter-se e voltar a crescer”, advertiu a responsável.

Fonte: Reuters

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