África Archives - https://pulsoafricano.online/category/africa/ Thu, 16 Jul 2026 00:49:31 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://pulsoafricano.online/wp-content/uploads/2026/06/cropped-pulsoafricano-32x32.png África Archives - https://pulsoafricano.online/category/africa/ 32 32 África do Sul: 43 jovens morrem em rituais de circuncisão tradicional https://pulsoafricano.online/2026/07/africa-do-sul-43-jovens-morrem-em-rituais-de-circuncisao-tradicional/ https://pulsoafricano.online/2026/07/africa-do-sul-43-jovens-morrem-em-rituais-de-circuncisao-tradicional/#respond Thu, 16 Jul 2026 00:49:31 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=84 O número de mortos em rituais de circuncisão na África do Sul subiu para 43. As mortes ocorreram durante este inverno, no decorrer das tradicionais [...]

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O número de mortos em rituais de circuncisão na África do Sul subiu para 43. As mortes ocorreram durante este inverno, no decorrer das tradicionais cerimónias de passagem para a vida adulta. Face à gravidade da situação, as autoridades sul-africanas detiveram 40 pessoas ligadas a estes casos, encerraram 58 escolas de iniciação ilegais e abriram 116 processos-crime.

Mpumalanga e Cabo Oriental lideram as estatísticas

A província de Mpumalanga é a mais afectada, com 18 mortes registadas. Segue-se o Cabo Oriental, com 14 vítimas mortais. Os restantes óbitos distribuem-se pelas províncias do Noroeste, Limpopo, Gauteng e Estado Livre.

Ministro apela à responsabilidade de pais e comunidades

O ministro sul-africano dos Assuntos Tradicionais, Velenkosini Hlabisa, defende que as famílias e a sociedade civil devem assumir um papel mais activo na protecção dos jovens.

“Queremos reforçar a responsabilidade dos pais. A decisão crucial sobre onde deixar o filho para este processo é deles. Um pai deve tomar a decisão certa, escolhendo um cirurgião tradicional credível e uma escola de iniciação com um bom historial, onde os rapazes entrem e saiam vivos”, afirmou o governante.

Além disso, Hlabisa sublinhou a necessidade de apoio comunitário nos lares monoparentais. “Queremos responsabilizar os pais, mas também as comunidades. Há famílias onde os rapazes são criados por mulheres  mães solteiras que, por motivos culturais, não podem visitar as escolas de iniciação. Nesses casos, os irmãos, tios e homens mais velhos da comunidade devem ter um papel activo na monitorização, visitando a escola para acompanhar o progresso do jovem, sobretudo nos primeiros dez dias da época de iniciação”, acrescentou.

Uma tradição marcada pela negligência

Esta iniciação tradicional é um ritual de passagem para a idade adulta praticado todos os anos por vários grupos étnicos na África do Sul. Entre eles estão as comunidades Xhosa, Ndebele, Sotho e Venda. As cerimónias decorrem nas chamadas escolas de iniciação. Embora dezenas de milhares de jovens frequentem centros legalizados anualmente, dezenas de adolescentes continuam a perder a vida nestes rituais.

As autoridades apontam como principais causas a negligência de cirurgiões tradicionais e a existência de escolas de iniciação ilegais. Estas chegam a realizar circuncisões com instrumentos não esterilizados. Para combater esta crise, foi aprovada recentemente uma nova lei que exige o licenciamento obrigatório destas escolas. Além disso, a legislação proíbe terminantemente a circuncisão de menores de 18 anos.

Eduardo Figurão, RM África do Sul

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Angola focada em atrair investimento para explorar os seus recursos minerais https://pulsoafricano.online/2026/07/angola-focada-em-atrair-investimento-para-explorar-os-seus-recursos-minerais/ https://pulsoafricano.online/2026/07/angola-focada-em-atrair-investimento-para-explorar-os-seus-recursos-minerais/#respond Thu, 16 Jul 2026 00:23:45 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=75 A captação de investimento nacional e estrangeiro para a exploração e transformação dos recursos minerais é uma das principais prioridades da estratégia de Angola para [...]

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A captação de investimento nacional e estrangeiro para a exploração e transformação dos recursos minerais é uma das principais prioridades da estratégia de Angola para o sector mineiro. A afirmação foi feita esta quarta-feira, em Lisboa, pelo Presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Recursos Minerais (ANRM), Jacinto Rocha.

Doing Business Angola 2026

A intervenção decorreu durante o painel “Recursos Estratégicos: Angola na Nova Geopolítica Global”, integrado na conferência Doing Business Angola 2026, promovida pelo Jornal Económico e pela Forbes África Lusófona. No evento, o gestor defendeu uma abordagem abrangente de valorização de toda a riqueza mineral do país, sem distinção entre minerais críticos, estratégicos ou convencionais.

“O nosso foco é captar investimentos, sejam nacionais ou estrangeiros, para a exploração e transformação de todos os minerais existentes em Angola, de forma a contribuírem para o desenvolvimento económico do país”, afirmou.

Sem distinção entre minerais críticos e convencionais

Segundo Jacinto Rocha, Angola não pretende limitar a sua estratégia aos chamados minerais críticos, cuja procura internacional tem aumentado devido à transição energética e tecnológica. Pelo contrário, a aposta é mais abrangente.

“Não vamos distinguir entre minerais críticos, não críticos, estratégicos ou não estratégicos. Vamos aproveitar todos os recursos minerais que possam contribuir para alcançarmos os nossos objectivos de desenvolvimento”, sustentou.

Potencial diamantífero ainda por explorar

Entre os recursos que actualmente despertam maior interesse dos investidores, Jacinto Rocha destacou o potencial diamantífero. Sublinhou, em particular, que Angola continua longe de esgotar as suas reservas.

“Os geólogos identificaram cerca de 960 anomalias kimberlíticas em Angola, o que demonstra que o potencial diamantífero do país continua a ser muito significativo”, referiu.

Corredores cupríferos e outros recursos

O gestor destacou igualmente o posicionamento geológico privilegiado de Angola. O país integra dois importantes corredores cupríferos da África Austral. Um está associado ao cinturão mineiro que se estende pela República Democrática do Congo e pela Zâmbia. O outro situa-se no Norte de Angola, onde já existe produção de cobre.

Além dos diamantes e do cobre, o PCA da ANRM apontou o elevado potencial nacional em terras raras, ouro, lítio, rochas ornamentais e minerais pesados. Estes recursos poderão, assim, desempenhar um papel crescente na diversificação da economia e na atracção de investimento privado.

Jacinto Rocha salientou ainda que Angola dispõe de importantes reservas de minerais industriais. Embora menos atractivos para os mercados internacionais, estes são fundamentais para responder às necessidades da economia nacional e apoiar o processo de industrialização.

Capital humano como factor decisivo

Questionado sobre o principal factor que determinará a capacidade de Angola transformar o seu potencial mineiro em receitas sustentáveis, Jacinto Rocha foi peremptório: o capital humano.

Na sua perspectiva, a abundância de recursos naturais, por si só, não garante desenvolvimento económico. Será indispensável, por isso, formar quadros qualificados capazes de identificar novas ocorrências minerais, planear a sua exploração, gerir os activos mineiros e maximizar o valor acrescentado gerado pelo sector.

Conclusão

Angola procura reforçar o peso da mineração na diversificação da economia, reduzindo a sua dependência do petróleo. Desta forma, o país posiciona-se como um dos principais destinos africanos para o investimento na prospecção, exploração e transformação de recursos minerais.

Pedro Mbinza

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Guiné Equatorial Envia 42 Toneladas de Ajuda Humanitária à Venezuela após Sismos https://pulsoafricano.online/2026/07/guine-equatorial-envia-42-toneladas-de-ajuda-humanitaria-a-venezuela-apos-sismos/ https://pulsoafricano.online/2026/07/guine-equatorial-envia-42-toneladas-de-ajuda-humanitaria-a-venezuela-apos-sismos/#respond Fri, 03 Jul 2026 08:22:22 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=61 A transportadora nacional Ceiba Intercontinental assegurou o transporte do carregamento, que inclui medicamentos, material clínico e bens de primeira necessidade para as populações afectadas. A [...]

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A transportadora nacional Ceiba Intercontinental assegurou o transporte do carregamento, que inclui medicamentos, material clínico e bens de primeira necessidade para as populações afectadas.


A Guiné Equatorial enviou 42 toneladas de ajuda humanitária à Venezuela, em resposta aos sismos que atingiram o país sul-americano a 24 de junho. A iniciativa junta-se ao esforço internacional de assistência às vítimas, que já mobilizou mais de duas dezenas de países e organismos internacionais.

Um Boeing 777-200 da Ceiba Intercontinental, operado pela frota presidencial, assegurou o transporte. A aeronave partiu da Turquia e aterrou no Aeroporto Internacional de Maiquetía, em Caracas, ao final da tarde de 30 de junho.

O Que Integra o Carregamento

O envio inclui medicamentos, material clínico, consumíveis médicos e bens de assistência para as famílias que perderam as suas habitações. Com esta ajuda, a Guiné Equatorial pretende reforçar a capacidade de resposta das autoridades venezuelanas nas operações de socorro às populações afectadas.

Recepção em Caracas

À chegada à capital venezuelana, altas autoridades locais receberam a delegação equato-guineense. Durante a cerimónia de entrega, os responsáveis venezuelanos classificaram a iniciativa como um gesto de solidariedade entre os dois países. Além disso, transmitiram o agradecimento institucional da vice-presidente Delcy Rodríguez, que coordena a ajuda internacional e as operações de emergência no terreno.

Uma Catástrofe de Dimensão Crescente

O balanço mais recente das autoridades venezuelanas eleva para 2.295 o número de mortos provocados pelos terramotos de 24 de junho. Os feridos somam já mais de 11 mil pessoas e 12.841 sofreram consequências directas do duplo sismo. Estes números agravam significativamente o balanço anterior, que apontava para 1.943 vítimas mortais e 10.571 feridos.

Com esta iniciativa, a Guiné Equatorial reforça ainda a sua projecção diplomática no plano internacional, ao mobilizar a transportadora nacional e os meios logísticos do Estado para responder a uma das maiores catástrofes naturais recentes na América Latina.

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Quase metade dos angolanos são crianças, mas desigualdades continuam a travar o seu futuro https://pulsoafricano.online/2026/06/quase-metade-dos-angolanos-sao-criancas-mas-desigualdades-continuam-a-travar-o-seu-futuro/ https://pulsoafricano.online/2026/06/quase-metade-dos-angolanos-sao-criancas-mas-desigualdades-continuam-a-travar-o-seu-futuro/#respond Thu, 25 Jun 2026 04:22:42 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=36 As crianças representam 48% da população angolana e permanecem no centro dos desafios de desenvolvimento do país. O mais recente relatório do Instituto Nacional de [...]

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As crianças representam 48% da população angolana e permanecem no centro dos desafios de desenvolvimento do país. O mais recente relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do UNICEF mostra progressos significativos na última década. Contudo, alerta para níveis preocupantes de desnutrição, violência infantil e desigualdade territorial.

Angola registou avanços importantes em vários indicadores relacionados com a infância. Apesar disso, o país continua confrontado com profundas desigualdades sociais e territoriais que condicionam o desenvolvimento de milhões de crianças.

Um país de jovens

A conclusão resulta do relatório sobre o “Perfil da Criança em Angola”, apresentado esta terça-feira pelo INE, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Baseado nos dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2023-2024, o documento reúne mais de meia centena de indicadores e traça um retrato detalhado das condições de vida da população infantil.

Os números revelam uma realidade que constitui simultaneamente uma oportunidade e um desafio estratégico para o país. Concretamente, cerca de 48% da população angolana tem menos de 18 anos. Em províncias como Bié, Uíge e Moxico, as crianças e adolescentes representam entre 57% e 58% da população, confirmando a juventude da estrutura demográfica nacional.

Avanços expressivos na última década

O relatório destaca avanços expressivos em relação ao inquérito realizado em 2015-2016. A mortalidade infantil caiu de 44 para 32 óbitos por mil nados-vivos, enquanto a mortalidade infanto-juvenil recuou de 68 para 52 por mil. Adicionalmente, o trabalho infantil diminuiu de 23,4% para 14%, ao mesmo tempo que aumentaram os níveis de registo de nascimento e o acesso a serviços de prevenção do VIH.

Desigualdades territoriais marcam o progresso

Apesar da evolução positiva, os indicadores mostram que o progresso continua desigual. O acesso a serviços essenciais varia significativamente entre províncias e entre áreas urbanas e rurais, criando realidades muito distintas para as crianças angolanas.

Um dos exemplos mais evidentes é o registo de nascimento. A nível nacional, apenas 37,8% das crianças menores de cinco anos possuem registo. Enquanto províncias como Lunda Sul, Zaire, Cuanza Sul e Moxico apresentam taxas entre 47% e 71%, outras, como Huambo, Cunene e Bié, não ultrapassam os 25%. Consequentemente, o local onde uma criança nasce continua a influenciar fortemente as suas oportunidades de sobrevivência e desenvolvimento.

As diferenças são igualmente visíveis na educação. A taxa líquida de frequência escolar no ensino primário situa-se nos 66%, mas oscila entre os 87% registados no Zaire e os 44% observados no Bié.

Saúde e protecção infantil em destaque

Na saúde, os desafios permanecem particularmente relevantes. Apenas 22% das crianças com menos de cinco anos dormiram sob redes mosquiteiras tratadas com insecticida na noite anterior ao inquérito, uma realidade preocupante num país onde a malária continua a representar uma das principais causas de mortalidade infantil.

A mortalidade de menores de cinco anos mantém igualmente diferenças acentuadas entre províncias. Enquanto Malanje regista nove óbitos por mil nados-vivos, o Cuando Cubango apresenta uma taxa de 87 por mil. Adicionalmente, o documento sublinha que as crianças provenientes dos agregados familiares mais pobres enfrentam um risco de morte significativamente superior ao das crianças pertencentes aos grupos economicamente mais favorecidos.

Outro dos desafios destacados pelo relatório prende-se com a protecção da criança. Embora o trabalho infantil tenha diminuído significativamente, a violência continua presente no quotidiano de muitas famílias. Segundo os dados, 67,3% das crianças entre um e 14 anos estão sujeitas a algum método de disciplina violenta.

No domínio das infra-estruturas básicas, 71% da população utiliza fontes adequadas de água para consumo. Contudo, as disparidades provinciais continuam evidentes. Enquanto Luanda apresenta uma cobertura praticamente universal, com 99,9%, províncias como Uíge e Cuanza Norte registam níveis substancialmente inferiores.

Ministro do Planeamento vê relatório como “instrumento estratégico”

Para o ministro do Planeamento, Víctor Hugo Guilherme, o Perfil da Criança representa mais do que um exercício estatístico. Durante a cerimónia de apresentação do relatório, o governante defendeu que a publicação constitui um instrumento estratégico para melhorar o planeamento e a avaliação das políticas públicas dirigidas à infância.

“Investir na criança é investir no desenvolvimento de Angola”, afirmou o ministro. Adicionalmente, sublinhou que os dados disponibilizados devem servir de base para respostas mais focalizadas e sensíveis às desigualdades existentes entre províncias, áreas de residência e grupos sociais.

Elaborado a partir de uma amostra de 16.380 agregados familiares e de mais de 21 mil entrevistas individuais, o relatório pretende apoiar a formulação de políticas públicas alinhadas com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Num país onde quase metade da população ainda é constituída por crianças e adolescentes, reduzir estas desigualdades poderá determinar não apenas a qualidade de vida da actual geração, mas também o ritmo do desenvolvimento nacional nas próximas décadas.


Fonte: Forbes África Lusófona

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FMI garante apoio a África perante novo choque do Médio Oriente https://pulsoafricano.online/2026/06/fmi-garante-apoio-a-africa-perante-novo-choque-do-medio-oriente/ https://pulsoafricano.online/2026/06/fmi-garante-apoio-a-africa-perante-novo-choque-do-medio-oriente/#respond Wed, 24 Jun 2026 04:11:11 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=32 O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma estar preparado para apoiar os países africanos mais expostos às consequências económicas do conflito no Médio Oriente. A escalada [...]

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma estar preparado para apoiar os países africanos mais expostos às consequências económicas do conflito no Médio Oriente. A escalada das tensões volta a pressionar os preços da energia, dos fertilizantes, do transporte marítimo e de outros bens essenciais para a actividade económica e segurança alimentar.

A posição foi assumida por Zeine Zeidane, novo director do Departamento de África do FMI, durante uma sessão com os media em Londres. Zeidane, que iniciou funções no início de Maio, supervisiona o relacionamento e as operações da instituição em 45 países da África Subsaariana. “A minha prioridade imediata é realmente ajudar os países da região a resistir a este choque”, afirmou o responsável, citado pela Reuters.

Energia, fertilizantes e transporte voltam a pressionar economias africanas

O Médio Oriente mantém um peso decisivo nas cadeias globais de fornecimento de energia, fertilizantes e transporte marítimo. Consequentemente, qualquer perturbação prolongada na região tende a afectar de forma rápida os preços internacionais do petróleo, gás, combustíveis refinados, fertilizantes e fretes.

Para a África Subsaariana, o impacto é particularmente sensível nas economias importadoras líquidas de combustíveis e bens alimentares. Adicionalmente, o aumento das facturas de importação pode pressionar a balança de pagamentos, enfraquecer moedas nacionais e elevar o custo de vida das famílias.

Os fertilizantes constituem uma preocupação adicional. O seu encarecimento pode elevar os custos de produção agrícola e reduzir a utilização por pequenos produtores. Num continente onde a agricultura continua a ser uma das principais fontes de emprego e rendimento, a transmissão do choque pode chegar rapidamente aos preços dos alimentos e à segurança alimentar.

Fundo acelera respostas para países mais expostos

Segundo Zeidane, o FMI já alcançou entendimentos a nível técnico para reforçar ou reprogramar o apoio disponibilizado a alguns países afectados. No Burkina Faso, o Fundo chegou a um acordo técnico para aumentar o acesso ao financiamento no âmbito da Facilidade de Crédito Alargado. Na Gâmbia, as autoridades solicitaram reforço do programa apoiado pelo FMI. Em São Tomé e Príncipe, o Fundo chegou igualmente a um entendimento técnico no âmbito da revisão do programa em vigor.

Adicionalmente, na Etiópia, foi acelerada a proposta de disponibilização de cerca de 200 milhões de dólares, com o objectivo de apoiar a resposta aos efeitos económicos do conflito. Contudo, estes entendimentos técnicos não equivalem automaticamente a desembolsos, dependendo da conclusão dos processos formais e da aprovação pelo Conselho Executivo do FMI.

Choque pode persistir durante vários meses

Zeidane alertou que as perturbações associadas ao conflito poderão prolongar-se por meses, mesmo que um cessar-fogo venha a manter-se. Segundo o responsável, países do Golfo indicaram que a retoma plena da produção e das exportações pode demorar entre seis e sete meses.

Consequentemente, esta perspectiva reforça a necessidade de os governos africanos prepararem respostas que vão além da gestão de uma volatilidade passageira. Para os países mais vulneráveis, a prioridade passará por proteger reservas internacionais, assegurar o abastecimento de bens essenciais e evitar que a resposta ao choque comprometa a sustentabilidade das contas públicas.

Crescimento africano entra sob maior pressão

As previsões do FMI apontavam para uma expansão de 4,3% da economia da África Subsaariana em 2026, depois de um crescimento estimado em 4,5% no ano anterior. A desaceleração prevista reflecte um contexto internacional menos favorável, marcado por incerteza geopolítica e custos de financiamento elevados.

O Fundo assinala que a média regional esconde realidades muito diferentes. Por um lado, países exportadores de petróleo podem beneficiar de preços mais altos do crude. Por outro lado, economias importadoras líquidas de energia, alimentos e fertilizantes tendem a enfrentar impactos mais severos sobre inflação, crescimento e contas externas.

“O próximo motor de crescimento do mundo”

Apesar das dificuldades imediatas, Zeidane transmitiu uma mensagem de confiança quanto ao futuro do continente. Na sua leitura, África mantém condições para se afirmar como uma das principais fontes de crescimento da economia mundial. “O futuro, o próximo motor de crescimento do mundo, será África”, afirmou.

A perspectiva assenta num conjunto de vantagens estruturais: uma população jovem, maior urbanização, recursos naturais e procura crescente por infra-estruturas e serviços. Contudo, a concretização dessa promessa dependerá da capacidade de transformar crescimento em emprego, rendimento e redução de vulnerabilidades. Para isso, o apoio financeiro externo poderá ser importante em períodos de choque, mas não substitui reformas nacionais que permitam elevar a produtividade e diversificar exportações.


Fonte: O Económico

 

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África do Sul: UNAIDS pede aos EUA que reconsiderem corte de financiamento ao combate ao VIH https://pulsoafricano.online/2026/06/africa-do-sul-unaids-pede-aos-eua-que-reconsiderem-corte-de-financiamento-ao-combate-ao-vih/ https://pulsoafricano.online/2026/06/africa-do-sul-unaids-pede-aos-eua-que-reconsiderem-corte-de-financiamento-ao-combate-ao-vih/#respond Tue, 23 Jun 2026 15:43:47 +0000 https://pulsoafricano.online/?p=13 A directora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS), Winnie Byanyima, apelou aos Estados Unidos para reconsiderarem a decisão de retirar o [...]

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A directora-executiva do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o VIH/SIDA (UNAIDS), Winnie Byanyima, apelou aos Estados Unidos para reconsiderarem a decisão de retirar o financiamento destinado ao combate ao VIH/SIDA na África do Sul. Segundo a responsável, a medida poderá custar vidas no país com o maior número de pessoas infectadas pelo vírus no mundo.

Falando numa conferência de imprensa da ONU, Byanyima manifestou preocupação com os cortes na ajuda internacional. Concretamente, alertou que estes podem comprometer décadas de progressos alcançados no combate à doença.

EUA justificam saída gradual do PEPFAR

Num comunicado enviado por correio electrónico, o Departamento de Estado norte-americano informou que decidiu iniciar uma retirada gradual do programa PEPFAR na África do Sul. A justificação apresentada foi a falta de progressos por parte de Pretória em relação a determinadas exigências da administração norte-americana. Adicionalmente, Washington sublinhou que o programa nunca foi concebido como um mecanismo permanente e que a África do Sul possui capacidade para financiar os seus próprios programas de saúde.

Segundo informações divulgadas pela imprensa norte-americana, a decisão também estará relacionada com divergências políticas entre os dois países. Entre estas, destacam-se a relação da África do Sul com o Irão, as políticas de empoderamento económico negro e questões ligadas a cânticos históricos anti-apartheid.

“Estou triste com esta decisão. Retirar este apoio significa retirar assistência que salva vidas das pessoas mais vulneráveis. Peço aos Estados Unidos que reconsiderem a sua posição”, declarou Byanyima.

Impacto financeiro e humano do corte

Embora a África do Sul não dependa do financiamento norte-americano para adquirir medicamentos contra o VIH, o programa PEPFAR contribuía anteriormente com mais de 400 milhões de dólares por ano. Adicionalmente, este financiamento sustentava os salários de cerca de 15 mil profissionais de saúde.

De acordo com Byanyima, a África do Sul alberga aproximadamente oito milhões de pessoas que vivem com VIH. Consequentemente, o programa norte-americano representava até 17% do financiamento nacional destinado ao combate à epidemia.

Sinais de retrocesso já visíveis

Byanyima alertou ainda que os cortes recentes já estão a afectar os serviços de saúde em vários países. Segundo dados da UNAIDS, os testes de VIH diminuíram 22% em países com elevadas taxas de infecção. Em alguns casos, a distribuição de preservativos caiu até 90%.

Actualmente, cerca de 32,1 milhões das quase 40 milhões de pessoas que vivem com o vírus recebem tratamento. Contudo, nove milhões continuam sem acesso à terapêutica e 1,2 milhão de novas infecções foram registadas no último ano.

“Estamos a observar os primeiros sinais de sérios retrocessos nos progressos alcançados. A tendência de redução das infecções pode inverter-se e voltar a crescer”, advertiu a responsável.

Fonte: Reuters

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