O antigo Presidente de Moçambique defendeu que a transformação da Universidade, em 1976, não foi uma simples mudança de nome, mas um verdadeiro acto fundador da República.
Joaquim Chissano considerou que a Universidade Eduardo Mondlane (UEM) desempenhou um papel decisivo na resposta às necessidades da independência nacional. Na sua visão, a instituição adaptou o conhecimento universal à realidade moçambicana e aplicou-o aos desafios do novo contexto, sobretudo na formação de quadros para quase todos os sectores do desenvolvimento do país.
O antigo Presidente falava durante a palestra “Um olhar sobre o papel da UEM na construção do Estado moçambicano independente”, realizada no âmbito das celebrações dos 50 anos da atribuição do nome Eduardo Mondlane à Universidade.
Um Acto Fundador da República
Como poucos, Chissano testemunhou a transformação da Universidade de Lourenço Marques em Universidade Eduardo Mondlane. O processo decorreu num contexto de profunda mudança política e social, liderado por Samora Machel.
Para o antigo estadista, a transformação de 1976 não foi um simples processo de mudança de designação. Pelo contrário, constituiu um verdadeiro acto fundador da República. Assim, a UEM deixou de ser apenas uma instituição de ensino superior para se afirmar como pilar estratégico na construção do Estado moçambicano.
Chissano foi ainda mais longe. Na sua perspectiva, a independência política só alcançaria a sua plenitude com a conquista da independência intelectual. Por isso, a UEM ajudou a formar a inteligência da jovem nação, incentivando os moçambicanos a pensar Moçambique a partir da sua própria realidade.
Desafios para o Futuro
Olhando para o presente e para o futuro, Chissano apontou vários desafios que deverão orientar a actuação da Universidade. Entre eles, destacou a transformação digital, as mudanças climáticas, os desafios demográficos e os conflitos internacionais — fenómenos que colocam exigências sem precedentes às instituições de ensino superior.
Uma Escolha com Razão de Ser
O reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, explicou que o convite a Chissano teve em conta a sua relevância histórica, o facto de ser Doutor Honoris Causa pela UEM e de integrar o restrito grupo de personalidades que testemunharam a transformação da Universidade. Segundo o reitor, a palestra constituiu uma oportunidade para revisitar criticamente a história da instituição e retirar dela ensinamentos para o presente e o futuro.
