Governo moçambicano inaugura sistema integrado de comunicações de emergência

O ministro das Comunicações e Transformação Digital de Moçambique, Américo Muchanga, inaugurou nesta terça-feira os Centros de Comunicações de Emergências e o Sistema Integrado de Comunicações de Emergência. Concretamente, a iniciativa é liderada pela Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique (INCM) e destina-se a fortalecer a capacidade nacional de resposta a calamidades naturais.

Na ocasião, o governante afirmou que a inauguração representa muito mais do que a entrega de uma infra-estrutura tecnológica. Pelo contrário, constitui um passo decisivo para o reforço da capacidade do país na gestão de desastres. “Este sistema representa um compromisso firme do Governo de Moçambique com a protecção da vida humana, a salvaguarda de bens e o fortalecimento da resiliência nacional”, destacou.

Moçambique entre os países mais afectados por desastres climáticos

Américo Muchanga recordou que Moçambique continua entre os países mais afectados por fenómenos climáticos extremos. Adicionalmente, destacou os impactos devastadores dos ciclones Idai e Kenneth, em 2019, bem como dos eventos mais recentes, como os ciclones Gombe, Freddy e a tempestade tropical Filipo.

Segundo o ministro, o Sistema Integrado de Comunicações de Emergência foi concebido para garantir a continuidade das comunicações mesmo em cenários adversos. Desta forma, o sistema assegura a coordenação entre as instituições envolvidas na gestão de crises.

Tecnologia satelital cobre todo o território nacional

A solução integra tecnologia satelital e uma unidade móvel de emergência. Consequentemente, permite que o país mantenha capacidade de comunicação em qualquer ponto do território nacional, incluindo zonas remotas ou severamente afectadas por desastres.

Adicionalmente, com equipamentos estrategicamente posicionados em Maputo, Caia e Nacala, o sistema dispõe de mecanismos avançados de monitoria e gestão. Por isso, possibilita a visualização de informação em tempo real e facilita a ligação entre os diferentes níveis de decisão. “Esta capacidade permitirá reforçar a coordenação institucional e reduzir significativamente os tempos de resposta em situações críticas”, sublinhou Muchanga.

Articulação entre INCM, INGD e CENOE

Américo Muchanga destacou igualmente o papel desempenhado pelas instituições nacionais envolvidas no processo. Nomeadamente, refere-se ao INCM, ao Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e ao Centro Nacional Operativo de Emergência (CENOE). “Este projecto demonstra que uma gestão eficaz de emergências depende de uma forte articulação institucional”, afirmou.

Mais de 300 milhões de SMS de alerta enviados

Por sua vez, a presidente do INGD, Luísa Meque, considerou que a entrada em funcionamento do sistema simboliza um compromisso colectivo com a protecção das comunidades expostas aos riscos climáticos. Adicionalmente, a dirigente recordou que Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, enfrentando regularmente cheias, secas e ciclones.

Segundo Meque, cada evento de emergência apresenta desafios específicos, desde barreiras linguísticas até limitações tecnológicas. Por isso, a colaboração entre o INGD, o INCM e outras entidades permitiu fortalecer os sistemas de alerta precoce. Como exemplo, a dirigente referiu que durante a época chuvosa de 2025/2026 foram enviados mais de 300 milhões de SMS de alerta. Consequentemente, milhões de moçambicanos receberam informações atempadas sobre riscos iminentes.

Necessidade de continuar a investir nas estruturas locais

Apesar dos progressos alcançados, Luísa Meque defendeu a necessidade de continuar a investir nas estruturas locais de gestão do risco de desastres. Além disso, sublinhou a importância de reforçar as capacidades comunitárias e expandir os sistemas de aviso prévio. “O nosso objectivo é garantir que todas as pessoas, independentemente da sua localização, tenham acesso à informação de alerta precoce”, concluiu.

Por fim, a iniciativa foi implementada no âmbito do Projecto de Aceleração Digital de Moçambique (PADIM), com o apoio financeiro do Banco Mundial. Assim, a inauguração dos Centros de Comunicações de Emergência representa um marco importante nos esforços do país para modernizar a gestão de calamidades.


Fonte: Forbes África Lusófona

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